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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Eu olho pra lua

... eu sinto a tua falta ♪



O vento gelado balança com suavidade meus encaracolados cabelos negros, trás consigo uma brisa de maresia mesmo tão distante da última vez que estive na praia.
Devo admitir, eu já fui mais feliz do que isso, mas também já fui mais triste.
E o sofrimento que arde em meu peito grita que eu estou viva, a dor em meu ventre assinala uma escolha para que tudo se desfaça.
É inútil, não adianta medir tristezas dentro de nossos fantasmas, a dor de cada um é tão singular quanto o que nos faz iguais; a nossa diferença é o único elo que nos une.

Hoje eu aprendi, com um amigo uma coisa que nunca soube: aprender a libertar, perder o medo de deixar partir.
E eu digo ao meu coração que vá, não se prenda mais a pequenos detalhes de um doce amor que falece.
Não cabe a mim pedir para que ele continue sobrevivendo, a liberdade é uma pequena dádiva que permite que tudo se torne mais encantador.
Desfaleça.

Duas feridas brigam em contraste dentro do meu peito, mas existe alguém, em algum lugar, que olha por mim e que de alguma forma, escolheu que eu estivesse aqui.
A dor permanece, minhas fragilidades e meus medos continuam a devastar tudo o que encontram dentro de mim, mas eu também continuo.
Não existe começo e nem fim, a estrada não leva a lugar nenhum, nós caminhamos em vão.
Nós devemos continuar caminhando, é a única coisa que nos cabe nesse tenebroso mundinho onde a felicidade cobra um valor muito alto.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mas não pensei que fosse tão difícil...

 ... ficar sozinho numa noite de inverno.



Você olha para o lado, não existe sinal de paz.
O quarto bagunçado se confunde com o bagunçado que se confunde com seus pensamentos. Sua mente voa livre, presa ao corpo que sente a crise de abstinência que seu veneno tóxico deixou.
O antídoto que parecia fazer a diferença se tornou fraco? 
Seus olhos surpreendem seu coração, um mínimo detalhe faz tudo mudar de lugar. A bagunça vira um simples fundo e toda sua atenção se prende ao que está bem ao centro dela.
A vida te vence fácil, esse quarto parece um quarto velho de bordel, sujo da luxúria que muitos pagaram e poucos tiveram. Sua cama cheira a podridão, abandono.
Sua busca desesperada impede sua respiração, o ar falta e você sabe que só o recuperaria nos suspiros de amor, nos braços de alguém que mesmo estando dentro de você, se encontra distante como jamais esteve.

Esqueça. 
Não faz diferença, porque além da bagunça fica o vazio, você esconde o eco que seus pensamentos produzem nesse coração vazio de si, com uma bagunça planejada exatamente para que pareça tudo tão cheio de nada.
Ninguém precisa disso e você se dará conta, então enfim levantará a cabeça, olhará para além da janela. Lá fora as luzes artificiais continuam a brilhar, mas sua visão vai além.
Vai para si.
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