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quinta-feira, 15 de março de 2012

E o que se escondia no porão...

... sai pelos poros, pela transpiração.




Mais um dia.
Passa levemente como se fosse uma suave pena caindo do infinito, pousando delicadamente sobre a água. Pequenas ondas circulares se espalham em torno do pequeno ponto no meio de um grande lago.
Não se ve o fundo, mas se vê a borda, o espelho reflete, mas não mostra, distante dos lhos, a verdade ali explícita, mas o espelho d'agua só reflete, nunca mostra.
Vem a brisa, sutil então, espalhar, consumir, desprezar a calmaria das águas que refletem.

Paz e um doce cantar de pássaros ao fundo da imaginação que viaja, que enxerga o lago, a pena, as ondas.
Que sente o vendo bagunçar os cabelos e trazer um sutil perfume de flores e frutas que faz a boca doce como o cheiro, tão real quanto na imaginação.

Anoitece.
Por do sol reflete a água e então o espelho é reflexo do que há por fora.
Nunca intenso, nunca claro, sempre obscuro.
E a dúvida de se profundo ou não.
Mas a noite traz a brisa, balança as águas paradas que refletem as estrelas, que indicam os caminhos, que te trazem para mim,

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Quem salva quer salvação

... canta só pra ouvir a canção



É só mais um dia.
Surge por detrás de uma nuvem a doce luz do sol, toca no rosto dela e aí desaparece, como a sombra de um sonho mal acabado pelo despertador.
Parece ressaca, mas você se lembra que esqueceu de comprar o conhaque da noite anterior.
Eu sei como se sente, todas as lembranças que faziam bem ou mal desaparecem e a dor de cabeça preenche tudo ao seu redor, a ressaca emocional parece não ter fim.
Olhos de cigana dissimulada, o sol continua tocando no rosto dela como uma esperança vaga do amanhã e então chega a resposta não tão esperada.
Afinal, quem se importa com a dose de tequila, com o copo de conhaque, com o vinho derramado entre copos e taças e mesas. Afinal é o fim.
Ela caminha como quem dança pelos muros da cidade, sem precisar de luzes para iluminar seu caminho, ela é sua própria luz. Tão leve como o ar, seus passos parecem ensaiados ao som do silêncio.
Então ela encontra ele. 
Olhos azuis, cabelos tão loiros quanto poderiam ser. O sol também bate em seu rosto e ele também não precisa das luzes artificiais.
Do outro lado da rua, longe de seus passos de danças, dançando a música que ele escolheu. Ele também não pode ouvir o silêncio dela.
Você pensa que é normal, é banal, é real.
Para ela é mortal.


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